01/06/2021

Bicho da Seda para indústria Farmaceutica

Cientistas japoneses desenvolveram um bicho-da-seda transgênico para ser usado não na indústria têxtil, mas na farmacêutica. O inseto foi modificado para produzir uma substância com várias aplicações em medicina e na indústria de cosméticos, o colágeno.
Com isso, os bichos-da-seda passam a ser importantes potenciais fábricas de proteínas.
Não é a primeira vez que um organismo sofre transformação por engenharia genética para produzir colágeno, mas o bicho-da-seda é o que maior potencial tem para rapidamente chegar a uma escala industrial de produção. Colágeno também já foi produzido no leite de camundongos e em plantas de tabaco transgênicos.

O colágeno é uma proteína fundamental para as fibras de tecido e estruturas do corpo, como pele, osso, cartilagem e tendões.

A pesquisa foi feita por Katsutoshi Yoshizato, da Universidade de Hiroshima e diretor técnico da empresa Japan gals, e mais nove colegas. O artigo científico descrevendo a técnica será publicado na edição de janeiro da revista especializada "Nature Biotechnology", mas passa a estar disponível hoje na internet

Hiroshima, cidade que foi alvo de uma bomba atômica, patrocina um programa de regeneração de tecidos do corpo onde vários dos autores da pesquisa trabalham. O colágeno é muito usado para isso, mas sua principal fonte hoje, a pele de vacas, "traz grande risco de contaminação e pode causar reações alérgicas", segundo os autores da pesquisa.
O bicho-da-seda (Bombyx mori) é um inseto que, na forma de lagarta (a larva de uma borboleta) se alimenta de folhas, principalmente da amoreira.

Quando atinge cerca de cinco centímetros de comprimento, ele começa a formar um casulo, feito por fios de seda "cuspidos" por uma glândula abaixo da boca. Depois de cerca de três semanas, nasce uma borboleta do casulo.

Os bichos-da-seda transgênicos não param de produzir seda, mas passam a incorporar o colágeno nos fios que formam os casulos. Os pesquisadores tiveram depois de purificar o colágeno.

Os cientistas inseriram em embriões de bichos-da-seda genes não só para a produção de um tipo de colágeno humano, mas também de uma proteína fluorescente. Com isso foi possível literalmente enxergar se a "exportação" dos genes tinha dado certo. Algumas das borboletas tinham olhos vermelhos, que brilhavam mesmo à luz do dia.

Os pesquisadores comentam que as glândulas de produção de seda são altamente eficientes -o conteúdo de proteína de um casulo passa de 95%.

"É uma suposição razoável que outras proteínas expressas [ativadas" nesse sistema por transgênese, como descrito no presente estudo, possam atingir quantidades de produção próximas da da seda", dizem os pesquisadores.

Uma outra proteína humana útil seria a albumina, que, ainda segundo o grupo de Yoshizato, "eliminaria alguns dos riscos reais ou imaginados associados com produtos derivados de tecido humano".

A equipe calcula que seria possível produzir 5 kg de colágeno por ano em uma instalação de apenas 300 metros quadrados e cinco trabalhadores cuidando de 1,5 milhão de insetos. Os 5 kg de colágeno seriam retirados do total de cerca de 600 kg de casulos.

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